Nos últimos dois anos a McCann Erickson vem estudando e se especializando nos hábitos de consumo e comportamento dos consumidores das classes emergentes. Um dos produtos dessa especialização será o lançamento no final deste ano de um profundo estudo sobre esse público, realizado pela McCann na América Latina e Brasil.
Porém, a atual crise financeira mundial levou a agência a realizar outro estudo, em caráter emergencial, sobre a reação desses consumidores diante deste cenário inquietante.
A pesquisa “Retrato da Crise: as classes C e D em estado de alerta” foi realizada com 1720 pessoas das classes CD em sete países da América Latina (Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Honduras, México e Panamá), no período de 25 a 31 de outubro. No Brasil, a pesquisa foi realizada com execução técnica do DataPopular nas capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Foram 618 entrevistas com pessoas economicamente ativas, de ambos os sexos, na faixa dos 24 a 60 anos e renda familiar entre R$ 607,00 e R$ 3.033,00. A margem de erro é de até 4%.
Destaques do Estudo
1) Tônica da crise no Brasil vai ser ditada pelo comportamento das classes C e D
2) Essas classes vivem momento de apreensão, motivada pela mídia. A crise não é ainda sentida no seu dia -a- dia
3) Quando o assunto da crise entra em pauta: 80% acham que a crise trará algum impacto para sua família e 32% trará muito impacto
4) Consumidores brasileiros emergentes sentem que a crise vai afetar menos o Brasil do que os outros países da América Latina
5) A sua expectativa é que a crise dure até 1 ano. Nos outros países essa expectativa é o dobro.
6) O discurso de crise leva as pessoas a adotarem um comportamento de crise: 61% já estão postergando compras e investimentos. Principalmente investimentos/compra de carro e reformas da casa.
7) Outros comportamentos que irão adotar caso sintam que a crise se agravou: o maior de todos é reduzir/controlar gastos. Depois, evitar o endividamento. Não querem novos carnês e prestações.
8) Onde vão mexer muito nos seus gastos: lazer, vestuário, cartão de crédito, celular e no consumo de serviços públicos.
9) Vão mexer pouco nos gastos com alimentação, educação, saúde e limpeza.
10) Em relação às compras, os três pontos mais fortes são: buscar lojas/supermercados mais baratos (95%), eliminar produtos e categorias (77%) e reduzir quantidade de consumo (73%)
11) Sobre o Natal: não se mexe na celebração, mas na forma de presentear. Depois das festas mais de 70% pensam em renegociar as dívidas
12) Todos esses comportamentos são estratégias mentais para reagir à crise. O que sinalizará que é hora de colocar em prática todo esse arsenal de defesas anti-crise: caso o desemprego chegue perto e o dinheiro comece a sumir do bolso.
13) O que esperam das empresas durante a crise: embalagens econômicas (o principal), ofertas especiais e informação dos produtos ou serviços que ajude a escolher melhor.
14) Conclusão: o consumidor emergente do crédito e consumo fácil e farto será substituído por uma classe C e D mais criteriosa e conscientizada, ponderada.
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